Prema e Anahata no Rio de Janeiro - 2003
Em
1999, Prema Dasara e
Anahata Iradah, diretoras do Tara Dhatu, foram convidadas por dançarinos
da Rede Brasileira de Danças da Paz Universal para transmitir suas danças e
ensinamentos em diversas cidades do Brasil. Nunca imaginei o quanto esse
encontro transformaria a minha vida. Junto com os meus alunos do Grupo Chama,
vinha desenvolvendo um trabalho de criação de 22 Danças do Tarot, inspirados
nos ritmos e tradições brasileiras e, tivemos a oportunidade de dançar com
elas algumas dessas danças. Foi quando Prema e Anahata me convidaram para ir a
Mauí, no Havaí/USA para fazermos um trabalho juntas, explorando as conexões
existentes entre as 21 Preces de Tara e os Arcanos Maiores do Tarot. . Nessa
viagem, Tara e toda a família Tara Dhatu entraram
na minha vida para sempre e não existe benção maior. Através dos
ensinamentos transmitidos por Prema e Anahata, toda a minha busca
de desenvolvimento espiritual ganhou uma consciência de
interconectividade. Não era mais a minha busca, mas a nossa, a de todos os
seres. Todos almejamos a mesma liberação e felicidade.
Voltei ao Brasil como professora nível 1 na prática da
Mandala de Tara e comecei a praticar junto com alguns poucos alunos. O trabalho
revelou-se extremamente fortalecedor para todos nós e ao final de um ano, estávamos
cada vez mais firmes nesse caminho e novas pessoas haviam se engajado no
trabalho. Em 2001, fui novamente convidada pelo Tara Dhatu a participar da
Peregrinação pela Paz no norte da
Índia e Nepal. Para realizar as oferendas concebidas por Prema, seriam necessárias
108 dançarinas de vários países para formar quatro poderosas Mandalas de
Prece . Depois dos trágicos acontecimentos de 11 de setembro nos EUA, com o
clima de terror instalado no mundo, nem todas a peregrinas conseguiram chegar lá.
Éramos três brasileiras : Sabira ( representante das Danças da Paz Universal
na América Latina), Heloisa e eu,
entre cerca de 80 mulheres, de 39 países. Dançamos em muitos lugares sagrados
e a cada passo da dança nos sentíamos mais unidas e mais capazes de manifestar
os atributos da Deusa. Mulheres de todos os tipos, criavam as mais diferentes
belezas, em oração pela Paz.
Desde então, planejamos trazê-las de volta ao Brasil. Esperávamos ansiosamente pela oportunidade de revê-las... Desta vez com mais tempo. Tempo esse que se apresentou em sua verdadeira natureza samsárica: ora muito lento, ora muito rápido, de acordo com os nossos estados internos. E os últimos dias de preparativos para recebê-las passaram vertiginosamente mostrando que eu só podia fazer o meu melhor possível , mas para que tudo desse certo, precisávamos uns dos outros e de toda a harmonia que pudéssemos criar juntos. Todos se envolveram no processo, e apesar das dificuldades e obstáculos naturais para a organização de um workshop de danças sagradas durante o período de Carnaval e num tempo em que a cidade do Rio de Janeiro está muito violenta, conseguimos ultrapassar nossas limitações e nos mover, mais uma vez, criativamente, em direção à paz.
Durante o período do Carnaval, tivemos a oportunidade de dançar com algumas Taras estrangeiras que vieram prestigiar o nosso Rio Multicultural de Danças Sagradas, evento organizado pelo Tara Dhatu e pelo Grupo Chama de dança-meditação. Foi um aprendizado ver como nossas amigas Ivonne, Aimée, Mekare, Vanda e Trishana se comportavam frente as confusões e a falta de infra-estrutura da cidade durante o Carnaval carioca. Esperamos horas debaixo de chuva para desfilar na Mangueira, compramos lugares que não existiam nas arquibancadas para assistir aos desfiles e outras trapalhadas típicas desse período. No entanto, durante todo o tempo, contamos com a solidariedade, a generosidade e o estímulo de todas em nosso esforço para apresentar o melhor da nossa cidade para elas. Compartilhar o trabalho das Danças do Tarot com mulheres tão despertas foi sem dúvida, o maior dos privilégios.
Durante quase 3 meses pudemos conviver e aprender com Prema Dasara e Anahata Iradah.De naturezas muito diferentes, essas duas mestras juntas, são como o casamento do sol com a lua: uma perfeita alquimia. Com elas , podemos ver os ensinamentos sendo praticados no dia a dia.
Prema é como o fogo, audaciosa, assertiva e nos ensina como Tara a não ter medo de ser, de amar, de brilhar. Dona de uma sonora gargalhada que nos tira do sério e nos faz refletir sobre nossas pretensões. Nos ensina a encarar de frente os inimigos internos e a combatê-los com enérgica amorosidade. Sua sabedoria é ilimitada e consegue perceber intuitivamente como e o quê pode nos fortalecer.
Anahata é como a água, a generosidade em pessoa, que nos envolve acolhedora, fazendo brotar nossas emoções. De forma macia, nos conduz criativamente ao método, à ética, à busca da plena atenção para o nosso aprimoramento. Atenciosa , está sempre à serviço e nos dá o suporte e o alimento necessário para que possamos crescer. Música inspirada e voz melodiosa, é exigente consigo mesma e nos incentiva com o exemplo, a ir além dos nossos limites. É a fé em movimento, construindo ativamente a paz .
Dançar a Mandala das 21 Preces de Tara criada por Prema e ao som da música de Anahata é entrar em contato com a beleza da harmonia dos movimentos e sons da unidade. No momento da dança, somos todas parte da grande deusa: seus olhos compassivos, sua fala amorosa enfeitada pelo mantra, sua ação consciente e sua mente desperta. E foi sob a liderança dessas mulheres que conseguimos dançar, com Taras de vários estados brasileiros, a primeira Mandala das 21 Preces de Tara no Rio de Janeiro, dedicando todo o mérito da prática a pacificação da nossa cidade maravilhosa.
O resultado desses processos individuais e coletivos é que conseguimos criar condições para uma representação do Tara Dhatu na América Latina. Nossa Tara de Brasília: Myringela na organização geral, Sabira e eu como professoras nível 3 na condução da prática, capazes de liderar as Oferendas de Mandala, Marge consolidando como professora nível 2 um núcleo de prática no Sul do Brasil, e várias professoras nível 1:............, espalhando a sabedoria, a compaixão e o poder de Tara pelo nosso continente. Que possamos criar condições para novas visitas dessas duas grandes mestras, para que todos os seres sencientes possam compartilhar conosco os benefícios dessa prática.
“Que todos os seres sejam felizes!
Que todos os seres sejam livres!”
Rio de Janeiro, 14 de junho de 2003.
Maria Aché
Mandala no Rio de Janeiro
